Em um Bairro de Nova York
Minha vez de assistir a "In The Heights"/ "Em um Bairro de Nova York", dirigido por John M. Chu; uma adaptação do musical do prolífico Lin-Manuel Miranda.
É um bom filme; apenas isso. A intenção é divertir, ser despretensioso, e consegue. Mas intimamente lutei contra o recado social. Explico. Sua referência máxima, a obra-prima "West Side Story", consegue ser muito mais profunda sobre a divisão de classes nos Estados Unidos, notadamente na letra inigualável de "America". Aqui não há a violência de gangues, nem o preconceito social explícito, o inimigo é algo mais abstrato, impessoal: a "gentrificação" do bairro. O personagem principal quer voltar para a sua República Dominicana (Até eu, 1 dólar vale 57 pesos dominicanos), assim como o elenco masculino latino do musical dos anos 1960 deseja Porto Rico. O protagonista ressente-se do "sonho americano", ele tem trinta anos, é dono de um pequeno mercado, e não conseguiu avançar além disso. Ou seja, o prometido sonho americano para ele deu "errado". Assim como para a maioria dos moradores do bairro, lentamente expulsos pelos indies e novos aluguéis. A solução apresentada então, em vez de continuar a trabalhar, ou completar a (racista) faculdade, é...tchan tchan tchan tchan ...ganhar na loteria!!! Poxa, mas como nunca ninguém pensou nessa solução? Todos os sonhos se resolvem!
Fiquei de cara com isso. O sonho americano não existe, mas o sonho da loteria sim.
Crítica feita por Sergio B. para o Fórum Cinema em Cena. A crítica completa e outras análises podem ser istas no Fórum Cinema em Cena.
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